terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Chávez é nomeado presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou neste domingo que aceitava sua designação como presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), decidida por unanimidade na quinta assembléia do congresso de fundação desta legenda política.

"Não me resta nada mais além de aceitar. Eu o aceito e assumo o desafio, mas peço a ajuda de todos. Unidade, unidade, unidade. Muita discussão interna, criatividade, responsabilidade", disse Chávez em seu programa dominical "Alô Presidente".

O governante venezuelano encorajou os militantes a "trabalhar". "Um verdadeiro militante revolucionário não pode ser corrupto (...) eu não tenho nada nem quero nada para mim, absolutamente nada", disse.

Chávez pediu que os membros do PSUV assumam "sua militância com responsabilidade" e se construa "o maior partido, por sua eficiência e consciência revolucionária, na história da Venezuela".

A designação de Chávez como presidente do partido aconteceu em uma assembléia plenária a portas fechadas na qual participaram mais de 1.800 delegados na cidade de Puerto La Cruz, leste de Caracas.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Venezuela: Tintas "verdes" portuguesas procuram oportunidade no acordo comercial entre Lisboa e Caracas

As empresas portuguesas Triquímica Soluções Químicas e Ambientais, S.A. e Euronavy foram contactadas pela Petróleos de Venezuela (PDVSA) para estarem presentes na Feira de Caracas, a realizar-se em Abril, com a presença prevista do primeiro-ministro, José Sócrates, onde vão ser assinados os contratos para a exportação de produtos, já estabelecidos, de Portugal para a Venezuela.

"Este acordo abre as portas para a exploração mundial do mercado petrolífero", afirmou Idílio Santos, supervisor comercial da empresa Triquímica.

Esta empresa, sediada perto do Autódromo de Estoril, nos arredores de Lisboa, aliciou o mercado petrolífero venezuelano com "o produto de tratamento para a protecção anti-corrosiva de navios e plataformas petrolíferas, acima e abaixo da linha de água", esclarece.

O produto, o Triecoprimer K1, ao fim de quatro anos de estudos e ensaios, recebeu a certificação do Centro de Pesquisas da Petrobras (CENPES), petrolífera brasileira.

Com um produto semelhante, a Euronavy, única empresa não americana a fabricar tintas para os navios da armada dos EUA, espera fornecer o mercado venezuelano "com tintas para a pintura debaixo de água, que é tolerante à humidade e outros produtos complementares", disse à lusa Nuno Ribeiros do departamento de Operações Internacionais da Euronavy.

A presença de empresas portuguesas no mercado venezuelano, segundo a fonte da empresa Triquima, evidencia-se como uma "excelente criação de receitas e visibilidade para Portugal".

As empresas portuguesas Euronavy e Triquíma apresentam produtos de vanguarda no sector da indústria naval já reconhecidos por vários países, apresentando-se agora sob a mira do mercado petrolífero venezuelano.

A 03 de Fevereiro, os governos de Lisboa e Caracas assinaram um protocolo com o objectivo de aumentar as exportações nacionais para a Venezuela até ao valor da importação de petróleo proveniente deste país para Portugal.

Para tal, constituiu-se como base uma lista de produtos, indicada pela Venezuela, cujas áreas prioritárias são produtos alimentares, construção e engenharia civil, energias renováveis, medicamentos e construção naval.

CZS.

Lusa/Fim.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

Cristina Kirchner se reunirá com Chávez em março

A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, prevê viajar para a Venezuela no próximo dia 5 de março para se reunir com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

A chefe de Estado argentina planeja realizar uma breve visita à Venezuela para assinar acordos comerciais, embora a viagem "deva ser confirmada ainda de forma oficial", informaram os porta-vozes do governo a meios de comunicação locais.

Durante o encontro, ambos os líderes firmariam pactos para trocar energia por alimentos e manufaturas vinculadas ao setor agropecuário.

A Argentina elevará os envios de carne bovina à Venezuela em mil toneladas mensais, além de aumentar suas exportações a Caracas de leite e farinha de trigo, entre outros produtos.

Em troca, o governo venezuelano manterá seus envios --como vem fazendo desde 2004-- de combustível para calefação doméstica.

Esses dispositivos foram estipulados esta semana durante uma reunião de negócios realizada na capital venezuelana por delegações governamentais dos dois países.

A presidente argentina deve permanecer por apenas algumas horas na Venezuela, já que depois partirá a Santo Domingo para participar da próxima cúpula do Grupo do Rio, que acontecerá entre 3 e 7 de março.

O Grupo do Rio --criado em 1986, no Rio de Janeiro-- promove consultas políticas em alto nível e com um grau mínimo de institucionalização para contenção de processos que colocam em risco a ordem democrática entre seus países-membros, incluindo o Brasil.

A visita da presidente da Argentina à Venezuela é anunciada depois de ambos os países terem se envolvido no chamado "caso da mala", em agosto do ano passado.

Na ocasião, a Alfândega argentina confiscou US$ 800 mil do empresário venezuelano Guido Antonini Wilson, que tentava entrar em Buenos Aires sem declarar a quantia.

O empresário viajou de Caracas a Buenos Aires a bordo de um avião fretado pela estatal Enarsa (Energia Argentina), no qual viajavam também funcionários da PdVSA (Petróleos de Venezuela SA), às vésperas de uma visita à Argentina do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

A Justiça dos EUA chegou a suspeitar de que os US$ 800 mil apreendidos com Wilson estavam destinados a financiar a campanha eleitoral da atual presidente da Argentina.

Colômbia e EUA são "campeões mundiais do narcotráfico", diz Chávez

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse neste sábado que as autoridades dos Estados Unidos e da Colômbia são os verdadeiros "campeões mundiais do narcotráfico", mas que acusam as da Venezuela, e ele pessoalmente, para "se esconderem".

Os dirigentes dos dois países "administram todos os mecanismos financeiros ilícitos", mas acusam a Venezuela "de ser um paraíso para o narcotráfico e o terrorismo" como uma forma de pretender "lavar as mãos e de se esconder", afirmou Chávez.

A acusação do presidente, durante uma reunião pela fundação do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), aconteceu um dia depois de o governo assegurar que, durante a gestão do presidente dos EUA, George W. Bush, a distribuição e o consumo de drogas naquele país triplicaram.

Isso foi possível, segundo uma nota do governo venezuelano, graças à "cumplicidade" de funcionários de Washington.

O governo de Chávez respondeu assim ao embaixador dos Estados Unidos na Colômbia, William Brownfield, que afirmou na sexta-feira que a quantidade de drogas que passa pela Venezuela "multiplicou por 15" desde 2002.

"O governo venezuelano rejeita energicamente as acusações do tristemente célebre ex-embaixador dos Estados Unidos na Venezuela", que desta forma evidencia "a agressividade irracional" que atribui à "fase terminal" do governo Bush, que "insiste em atacar da Colômbia o governo e o povo" da Venezuela.

Ele acrescentou que o governo de Chávez "não permitirá que os Estados Unidos, principal causador da praga do narcotráfico internacional, aponte a Venezuela como culpado de vícios gerados pela decomposição social e a corrupção moral a que conduz o irracional modelo de organização sócio-econômico do país."

Chávez disse que as declarações de Brownfield se somam "às agressões" que outros funcionários americanos lançaram contra a Venezuela da Colômbia" em janeiro, entre eles "o fracassado Czar Antidrogas, John Walters, e o chefe de Estado-Maior, Michael Mullen".

"O governo venezuelano pede às autoridades colombianas que solicitem aos funcionários do Governo dos Estados Unidos presentes na Colômbia que suspendam seus sistemáticos ataques e ofensas, da Colômbia, contra nosso país", afirmou.

O embaixador da Colômbia na Venezuela, Fernando Marín, recebeu hoje da Chancelaria venezuelana uma "observação verbal" pelo silêncio de Bogotá diante das declarações de funcionários americanos contra a administração de Chávez, segundo a imprensa.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Juventude bolivariana prepara mobilização em frente de embaixada dos EUA

Caracas, ABN: O movimento estudantil bolivariano irá levar a cabo nos próximos dias uma mobilização em frente da Embaixada dos Estados Unidos em Caracas, em repudio pela agressão estrangeira contra o povo venezuelano, anunciou o presidente da Federação Bolivariana de Estudantes, Carlos Sierra.

Sierra anunciou a convocatória desta manifestação durante a realização da vigília em apoio da PDVSA, no exterior das instalações da sede principal da industria petroleira nacional, em La Campiña.

“Vamos ocupar todas as instalações do governo estadunidense, todas as instalações das multinacionais ligadas à Exxon Móbil. Não vamos permitir a agressão estrangeira” expressou o presidente da Federação Bolivariana de Estudantes.
O dirigente da juventude bolivariana indicou ainda que nesta sexta-feira serão definidos os detalhes da mobilização.

Venezuela recebe apoio da Opep para enfrentar Exxon

A Venezuela está recebendo aconselhamento e apoio moral dos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) na disputa judicial com a norte-americana ExxonMobil, relativa à compensação pela nacionalização de suas instalações petrolíferas na Venezuela.

"Contratamos da Opep a nossa equipe de juristas e agora estamos contando com seus conselhos para enfrentar esta situação", disse o ministro do Petróleo e da Energia da Venezuela, Rafael Ramirez numa entrevista à emissora local de TV Televen. "Houve um sentido de solidariedade com a Venezuela já que, mais uma vez, somos um país produtor de petróleo", afirmou o ministro.

Ramirez revelou que a Venezuela buscou o aconselhamento na última reunião da Opep, em fevereiro. "Já esperávamos que nosso país poderia enfrentar esta situação com uma companhia como a ExxonMobil," disse.

A estatal venezuelana de petróleo, PDVSA, interrompeu ontem todos os embarques para ExxonMobil e suspendeu as relações comerciais com a maior petrolífera do mundo. A PDVSA descreveu a decisão como uma retaliação à medida recente da Exxon de congelar US$ 12 bilhões de ativos da Venezuela ao redor do mundo. A ExxonMobil buscava compensação pelos ativos que o presidente Hugo Chávez nacionalizou no ano passado. As informações são da Dow Jones.

Venezuela suspende fornecimento de petróleo para Exxon Mobil

CARACAS - A Venezuela suspendeu na terça-feira as exportações de petróleo para a Exxon Mobil, intensificando a briga do governo do país com a gigante petrolífera norte-americana, em torno da compensação para um projeto de petróleo pesado nacionalizado pelo presidente Hugo Chávez.

A petrolífera estatal venezuelana PDVSA informou que suspendeu as relações comerciais e cortou o fornecimento de petróleo e derivados para a empresa norte-americana.

"Diante da perturbação legal-econômica iniciada pela Exxon Mobil contra a PDVSA, e como ato de reciprocidade, a PDVSA decidiu suspender as relações comerciais", informou a empresa venezuelana em comunicado.

Em 2007 o governo de Chávez aumentou o controle estatal sobre vários projetos na região petrolífera de Orinoco e forçou a saída do país da Exxon Mobil e da ConocoPhilips.

Na semana passada, a Exxon Mobil anunciou que conseguiu na Justiça o congelamento temporário de até 12 bilhões de dólares de ativos petrolíferos da Venezuela no exterior.

No comunicado, a PDVSA afirma que respeitará os contratos vigentes que regem investimentos compartilhados entre o governo venezuelano e a Exxon, mas se reserva ao direito de romper contratos cujos termos permitam um rompimento.

A Exxon informou que não pode comentar a notícia imediatamente.

Mais cedo na terça-feira, a Exxon Mobil informou que estava interessada em manter conversações substanciais com a Venezuela, para negociar uma compensação justa pelo projeto de Orinoco.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

EUA infiltram paramilitares na Venezuela, diz Chávez

CARACAS (Reuters) - O último plano do "império" norte-americano para desestabilizar a revolução venezuelana é infiltrar paramilitares no país sul-americano, com a colaboração de Bogotá, para armar bandos de delinquentes, denunciou no domingo o presidente venezuelano Hugo Chávez.

O mandatário costuma denunciar variadas estratégias de seu arqui-inimigo Washington para invadir o país petroleiro e de inclusive tentar matá-lo, apesar de não apresentar provas a esse respeito. Recentemente, Chávez acusou os Estados Unidos e a Colômbia de prepararem uma agressão militar contra a Venezuela.

Chávez afirmou que serão denunciadas perante "instâncias internacionais" um plano para trazer ao país paramilitares, que já estariam operando em Estados fronteiriços com a Colômbia e também na capital Caracas.

"(Os paramilitares) chegam até Caracas. Mas não andam com fuzis, nem andam uniformizados, não", disse o presidente em seu programa dominical de rádio e televisão, "Alô, Presidente", transmitido a partir de seu Estado natal, Barinas, no sudoeste do país.

"Andam fazendo trabalho nos bairros, vendendo cocaína, digamos assim, por preços abaixo do mercado, muito barata, para ganhar os bandos, os delinquentes dos bairros, e ir armando-os com armas de guerra", acrescentou Chávez, que assegurou que a base de operações do plano é a Colômbia.

As relações diplomáticas entre Caracas e Bogotá passam por seu pior momento na história recente depois que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, colocou fim no mês de novembro último ao trabalho de intermediação que Chávez realizava na busca por um acordo com a guerrilha das Farc.

A polêmica entre ambos os mandatários se avivou quando o presidente venezuelano pediu há duas semanas que a comunidade internacional deixe de classificar como "terrorista" as Farc e o Exército de Libertação Nacional, o que foi rechaçado categoricamente pela Colômbia.

Recentemente, Chávez ordenou ao Exército que reforçasse sua presença na fronteira com o país vizinho, afim de reduzir o contrabando de alimentos e combustíveis.

Além disso, o governo venezuelano acusou nesta semana a Exxon Mobil de querer desestabilizar o país, depois que a petrolífera norte-americana anunciou nesta semana ter conseguido congelar ativos da estatal PDVSA em sua batalha legal contra Caracas pela nacionalização de um projeto de petróleo pesado em 2007.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Venezuela vai indemnizar Total por alienação de acções

A Venezuela vai indemnizar com 834 milhões de dólares em petróleo, o grupo francês Total, por ter reduzido sua participação no consórcio Sincor, beneficiando assim a companhia estatal Petróleos de Venezuela, segundo informou hoje uma porta-voz da petrolífera francesa, citada pela agência AFP.

Susana Teodoro

O caso remonta a um acordo assinado em Junho entre o governo venezuelano e quatro companhias (a Total, a norueguesa Statoil, a americana Chevron e a britânica BP), que aceitaram que a estatal venezuelana se tornasse a accionista maioritária, tendo assim controle de várias empresas da faixa petroleira de Orinoco.

Sincor é fruto da associação entre a Petróleos de Venezuela, a Total e a Statoil, com o objectivo de processar o produto na faixa de Orinoco. Nesta companhia, a Total reduziu sua participação de 47% para 30,3% e a norueguesa de 15% para 9,67%, enquanto a Petróleos de Venezuela passou de 38% a 60%.

Venezuela promete combater "terrorismo judicial" da Exxon


CARACAS (Reuters) - A Venezuela disse na sexta-feira que combaterá o "terrorismo judicial" da ExxonMobil e que é "completamente falso" que a estatal PDVSA tenha 12 bilhões de dólares congelados por causa de processos judiciais movidos pela petrolífera norte-americana.

O ministro da Energia, Rafael Ramírez, afirmou que a Exxon, maior empresa dos Estados Unidos, quer desestabilizar a Venezuela e criar pânico sobre suas finanças e que as exportações, o fluxo de caixa e as operações diárias da PDVSA não serão afetadas pelas medidas judiciais.

"Estamos surpresos que uma empresa que se vangloria de ter tais níveis de seriedade e operações em todo o mundo pretenda nos ter em uma situação de terrorismo judicial, de terrorismo legal", disse Ramírez, também presidente da PDVSA, a jornalistas.

Os títulos da dívida venezuelana continuavam perdendo valor na sexta-feira, depois de desabarem na véspera, quando o mercado se viu sacudido por uma decisão judicial favorável à Exxon que congelava ativos e contas bancárias da PDVSA.

A empresa norte-americana exige da Venezuela uma milionária indenização pela nacionalização, em 2007, de um projeto petrolífero operado por ela no país sul-americano.

O ministro garantiu que a Venezuela "não tem congelado nenhum ativo", embora tenha admitido que a decisão embargou "temporariamente" cerca de 300 milhões de dólares.

"Não vamos ceder diante disso, vamos derrotá-los no terreno [judicial] em que está proposto", acrescentou Ramírez, mostrando-se confiante em derrubar a medida cautelar e em vencer um processo de arbitragem aberto pela Exxon.

Na próxima semana, a Venezuela apresentará seus argumentos contra a decisão no tribunal de Nova York que congelou os 300 milhões de dólares.

Ramírez disse que as sentenças favoráveis à Exxon em tribunais do Reino Unido, da Holanda e das Antilhas Holandesas não afetam a PDVSA porque a empresa não possui nesses países ativos de 12 bilhões de dólares, a cifra fixada pelos juízes para ser embargada.

Em nota divulgada na sexta-feira, a agência de classificação de risco Fitch disse que as medidas judiciais quase não terão impacto em curto prazo nas operações petrolíferas da Venezuela, na sua capacidade de crédito ou na sua flexibilidade financeira.

O presidente Hugo Chávez determinou em 2007 que o governo assumisse o controle operacional e acionário de quatro usinas beneficiadoras de petróleo pesado na bacia do Orinoco, o que fez a Exxon e a ConocoPhillips deixarem o país.

As multinacionais então abriram processo de arbitragem contra a Venezuela para conseguir uma indenização a preço de mercado por seus ativos na bacia do Orinoco, embora a Conoco tenha adotado uma postura menos agressiva que a Exxon no processo.

Governo boliviano defende apoio de Venezuela e Cuba à democracia no país

La Paz, 7 fev (EFE).- O Governo boliviano defendeu hoje o apoio da Venezuela e de Cuba à democracia na Bolívia e questionou os relatórios dos órgãos de Inteligência dos Estados Unidos sobre as tentativas de desestabilizar o país andino.

Em entrevista coletiva concedida hoje, o ministro das Relações Exteriores boliviano, David Choquehuanca, disse não saber "o que esses organismos de Inteligência dos EUA chamam de desestabilização.

Não sei de onde tiraram essas informações".

Choquehuanca destacou que Venezuela e Cuba estão apoiando "a democratização e a própria democracia" na Bolívia através de vários programas de cooperação, principalmente nos setores de saúde e educação.

Concretamente, o ministro destacou a ajuda da Venezuela nos planos de alfabetização em território boliviano, depois de "muitos Governos terem descuidado das pessoas que não tiveram oportunidade de ir à escola e de aprender a ler e escrever".

Cuba, por sua vez, oferece apoio à implantação de hospitais e em cirurgias oftalmológicas gratuitas para mais de 200 mil bolivianos.

"O povo boliviano sabe qual é a relação com Cuba e Venezuela", disse Choquehuanca, que chamou os dois países de "irmãos".

Na terça-feira, os EUA acusaram Venezuela e Cuba de tentarem desestabilizar a democracia na Bolívia, na Nicarágua e, "de forma mais vacilante", no Equador, em um relatório apresentado no Senado americano pelo diretor de Inteligência Nacional do país, Michael McConnell.

Estatal da Venezuela ultrapassa Shell nos EUA

A estatal venezuelana PDVSA ultrapassou a Shell e tornou-se a maior empresa estrangeira na distribuição de combustíveis nos Estados Unidos, com 13.682 postos de atendimento. Os dados foram divulgados pela agência de informações sobre energia dos Estados Unidos (Energy Information Agency - EIA), que traz um balanço da presença de capital estrangeiro no mercado de energia naquele país até o final de 2005. A Shell, que tinha 15.821 lojas no final de 2004, reduziu a sua rede para 13.500 postos no final daquele ano, enquanto a PDVSA manteve a sua rede praticamente intacta, com redução de apenas 12 unidades no período. A PDVSA atua na distribuição de combustíveis nos Estados Unidos através da sua controlada Citgo Petroleum.

Ao todo, segundo a EIA, os Estados Unidos contavam com uma rede de 167.476 postos no final de 2005, dos quais 47.628 pertencentes a grupos estrangeiros, o que representava cerca de 28,4% do total. Essa participação tem se reduzido gradualmente, já que em 2003 os estrangeiros respondiam por 31,4% do abastecimento, caindo para 30,6% no final de 2004 e os 28,4% em 2005. Em número de empresas, os EUA contavam com 9.011 companhias atuando na distribuição de derivados de petróleo, das quais 2.846 eram estrangeiras, o que corresponde a 31,7% do total. A terceira maior rede estrangeira atuando nos EUA é a BP, com 12.800 postos, com redução de 9,9% em relação ao ano anterior.

Além de manter a rede de postos praticamente intacta, a estatal venezuelana foi a única grande empresa estrangeira que aumentou a capacidade de refinar petróleo no mercado americano. Em 2005, a PDVSA tinha capacidade de processar 1,271 milhão de barris por dia, com aumento de 8,0% em relação ao final de 2004. A maior empresa estrangeira no segmento, porém, é a BP, que tinha capacidade de refinar 1,476 milhão de barris diários. Ao contrário da PDVSA, a BP reduziu em 1,9% a sua capacidade de processamento de petróleo nos Estados Unidos. Ao todo, no final de 2005, as refinarias americanas processavam cerca de 17,339 milhões de barris por dia, com aumento de 1,2% em relação ao ano anterior. As empresas estrangeiras processavam 4,848 milhões de barris diários, com aumento de 3,5% em relação ao final de 2004.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Chávez recebe Ortega, fala de eleições e admite falhas em seu governo

CARACAS (AFP) — O presidente venezuelano Hugo Chávez admitiu neste domingo o desabastecimento de alimentos e as falhas no sistema de saúde de seu país durante seu programa semanal "Alô, presidente!", durante o qual fez uma avaliação visando às eleições de governadores e prefeitos em novembro de 2008 e conversou com seu Daniel Ortega, presidente da Nicarágua.

Chávez se disse disposto a realizar um referendo revogatório em 2010, na metade de seu mandato, como também fazer uma segunda consulta para que seja aprovada uma emenda constitucional que permita a reeleição do presidente sem limite de mandatos.

"Se chegar um governo contra-revolucionário, virá a guerra", advertiu Chávez.

O presidente insistiu na questão da ameaça de uma guerra ao mencionar a "batalha eleitoral pelos governos e prefeituras".

"Se a oposição conseguir triunfos nessas eleições, o ano de 2009 será um ano de guerra porque (...) o imperialismo (Estados Unidos) quer desbancar a revolução".

"Lamentarei toda a vida a derrota de 2 de dezembro", confessou, referindo-se à sua primeira derrota em uma década de governo.

Em relação aos problemas de abastecimento, disse ter aprovado a liberação de 600 milhões de dólares para um "plano excecional de desenvolvimento agrícola".

Por outro lado, Chávez e Ortega propuseram neste domingo a criação de uma estratégia de defesa que coordene as forças armadas da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), integrada também por Cuba, Bolívia e Dominica.

A medida foi proposta durante uma revisão da deterioração das relações de ambos países com a Colômbia e os Estados Unidos.

Segundo o presidente venezuelano, a "estratégia de Defesa conjunta articularia as forças armadas, aéreas, terrestres, marinhas, a guarda nacional e as forças de cooperação e corpos de inteligência".

"O inimigo é o mesmo, e se se meterem com um de nós, terão que se meter com todos nós. Vamos responder como um só", advertiu Chávez

"Tocar na Bolívia é tocar em todos nós, tocar em Cuba é tocar na Venezuela, tocar na Nicarágua, é tocar em nós", acrescentou, encomendando aos ministros da Defesa e das Relações Exteriores que elaborem o projeto de um Conselho de Defesa da Alba.

Ortega, que aprovou o projeto, fez, por sua vez, uma revisão da "luta antiimperialista" da Nicarágua desde as batalhas do caudilho Augusto César Sandino (1895-1934) contra as tropas norte-americanas.

Chávez atribuiu à "oligarquia colombiana" supostos planos para criar um conflito bélico com a Venezuela em cumplicidade com os Estados Unidos.

"Chegará o momento em que o povo colombiano se libertará dessa oligarquia, não nos meteremos a menos que eles não se metam conosco", afirmou.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Hugo Chávez - Um homem, um povo (download)

Neste livro, o actual presidente da Venezuela, Hugo Chávez Frias, reflecte sobre temas como o motivo por que escolheu a via institucional para realizar mudanças revolucionárias; as razões de uma presença militar tão marcada no processo venezuelano; as diferenças entre a actual geração de militares venezuelanos e outros exércitos latino-americanos; as relações históricas com a esquerda organizada e suas desilusões; o tipo de modelo económico que se pretende levar adiante e as razões do escasso avanço neste terreno.

Hugo Chávez fala ainda sobre as dificuldades que teve de enfrentar, os erros cometidos e a aprendizagem adquirida ao longo dos anos, não deixando também de nos apresentar a sua visão do golpe reaccionário de 11 de Abril de 2002 e o retorno do presidente ao palácio de Miraflores. [download em .pdf]

Venezuela diz que está comprando radares para substituir os americanos

Caracas, 24 jan (EFE).- O ministro da Defesa da Venezuela, o general Gustavo Rangel, anunciou hoje que "muito em breve" chegarão a seu país radares importados por Caracas para substituir os que os Estados Unidos "levaram" após o fim de um acordo conjunto antidrogas.

A Venezuela "está trabalhando ativamente para adquirir novos sistemas de radares" que chegarão "muito em breve" da China e Rússia, declarou Rangel.

"Funcionavam na Venezuela radares americanos, mas essa gente os levou", reiterou em alusão aos agentes da Agência Antidrogas Americana (DEA).

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ordenou em agosto de 2005 às instâncias antidrogas de seu país que colocassem fim ao trabalho conjunto com a DEA, após acusá-la de se transformar em outro "cartel" da droga e de efetuar atividades de espionagem política.

Essas "infiltrações de inteligência ameaçavam a segurança e a defesa do país", disse Rangel.

O ministro acrescentou que os agentes da DEA diziam aos venezuelanos para deixar os traficantes "correr" para os Estados Unidos, onde seriam presos.

Além disso, assegurou que de cada 50 toneladas de droga detectada na Venezuela os Estados Unidos confiscavam entre 20 e 30 toneladas.

"O que era feito com o restante?", questionou Rangel. EFE ar/mh

Para Israel, aproximação entre Venezuela e Irã abre porta para terrorismo na América Latina

BRASÍLIA - A embaixadora de Israel no Brasil, Tzipora Rimon, revelou nesta quarta-feira que o governo de seu país alertou o governo brasileiro para os riscos da aproximação entre o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Segundo a embaixadora, o governo de Israel considera que essa aproximação poderá abrir a porta para a implantação de células terroristas na América Latina.

- Já compartilhamos nossa preocupação com o governo brasileiro. É preciso estar atento. Atrás dos acordos comerciais e culturais (entre Venezuela e Irã) pode haver uma influência para ações de terrorismo. E na relação entre esses dois países tem mais do que petróleo - disse a embaixadora.

Sem meias palavras, ela disse que o presidente venezuelano já deu sinais claros de que pode abrir essa porta para pessoas ligadas a atividades terroristas.

- Ele já deu declarações contra Israel e Ahmadinejad já pregou que Israel deve ser apagado do mapa.

" É preciso estar atento. Atrás dos acordos comerciais e culturais (entre Venezuela e Irã) pode haver uma influência para ações de terrorismo "

Na avaliação do governo israelense, o Irã pode vir a se aproveitar do estreitamento das relações com Chávez e outros países da região como Equador, Bolívia e Nicaragua para difundir suas idéias na região.

- A partir dessa relação (com a Venezuela), eles podem aproveitar a infra-estrutura local para usar em outras coisas. E hoje, o terrorismo internacional usa estruturas em outras regiões fora do Oriente Médio. Não podemos esquecer das ligações do Irã com o terrorismo no passado. Podemos dizer que o Hezbolah é o braço direito do Irã.

Tzipora Rimon disse ainda que o governo de seu país vê com desconfiança o relatório do governo dos Estados Unidos que afastou os riscos de o Irã ter condições de produzir hoje armas nucleares.

- Existe esse relatório, mas existem muitos outros. E esse relatório (dos EUA) não foi feito por Deus. As informações que temos é que em um ou dois anos eles terão condições de fazer isso, o que põe em risco não só Israel mas também é motivo de preocupação para outros países do Oriente Médio.

Brasil e Venezuela discutem cooperação em pesquisa agropecuária

Brasília - Representantes do Brasil e da Venezuela começaram a definir no dia 22 de janeiro, em Caracas, a instalação do projeto de cooperação técnica para o fortalecimento da pesquisa agropecuária.

Técnicos da Assessoria de Relações Internacionais da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) reuniram-se com o presidente do Instituto Nacional de Investigação Agrícola da Venezuela (Inia), Yván Gil, a fim de estabelecer recursos e alocação de pessoal especializado para o trabalho de cooperação.

Elízio Contine, chefe da Assessoria da Embrapa, disse que está previsto ainda para este primeiro semestre o início da cooperação. "A previsão é de que algum técnico da Embrapa esteja na Venezuela no final de fevereiro, para articular ações com as instituições de pesquisa de lá", disse. Ele explicou que essa cooperação é negociada "há algum tempo, ainda no ano passado, e agora começam a ser definidos os aspectos operacionais".

Inicialmente os esforços da cooperação técnica serão para a produção de leite, carnes e culturas de mandioca e café. “Ainda não foi definida uma prioridade, que pode ser o leite, porque a Venezuela precisa. A Embrapa Gado de Leite dará suporte às ações no país. Na África, também, nossa estratégia é ter alguns articuladores lá, com o suporte da estrutura da Embrapa aqui no Brasil”, acrescentou.

Para o ajuste dessa parceria, Elízio Contine informou que a missão da Embrapa deverá permanecer em Caracas até o início de fevereiro. "Vamos fazer um plano de trabalho e das negociações, definir onde ficará localizada a pequena estrutura da Embrapa, como vamos atuar, o plano de trabalho a ser utilizado", concluiu.| Por: Priscila Galvão/ABr

Venezuela quer inserir comunidade lusa em acordos bilaterais

Caracas, 24 jan (Lusa) - O governo venezuelano quer que a comunidade portuguesa participe nos diferentes acordos que Portugal e a Venezuela estão a negociar, porque vão permitir complementar as potencialidades em benefício deles e dos dois países, revelou o ministro das Relações Exteriores.

"Tem havido uma linha muito clara de comunicação com a comunidade portuguesa, para que toda ela se incorpore aos acordos de cooperação entre a Venezuela e Portugal", disse.

Nicolás Madura falava à saída de um encontro com Fernando Serrasqueiro, secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor de Portugal, no âmbito de uma visita que realiza à Venezuela para concretizar negociações destinadas a reequilibrar a balança comercial portuguesa, que pelas importações petrolíferas se inclina a favor de Caracas.

"Chegou o momento da cooperação, de que a comunidade - que já faz parte da forma de ser dos venezuelanos - tenha a certeza de que estes acordos vão beneficiá-la também, a todos, e vão permitir a complementaridade das potencialidades produtivas de ambos países", disse.

Destacou ainda que "a comunidade portuguesa tem importantes setores empresarias que vão ser convocados para que participem diretamente nestes acordos".

"[Portugal] é muito importante para nós e cada vez vai ser mais importante porque vão abrir-se oportunidades e janelas de cooperação que vão permitir à comunidade portuguesa prosperar mais ainda no nosso país e conseguir um nível de maior comunhão com os destinos da Venezuela", afirmou Madura.

O ministro venezuelano afirmou que o seu governo espera "para o mês de março, numa data a anunciar proximamente, a visita do primeiro ministro (de Portugal) José Sócrates à Venezuela".

Nessa momento, acrescentou, "haverá importantes reuniões de trabalho" para assinar os acordos cujas negociações estão em curso.

Precisou ainda que estão a trabalhar, de uma maneira dinâmica "num acordo energético e produtivo, em que a Venezuela subministrará um conjunto de produtos energéticos a Portugal, para contribuir com a sua segurança energética e obterá uma porcentagem dessa fatura através de produtos alimentícios e através de transferência de tecnologia".

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Venezuela diz que relatório da ONU desmente acusações dos EUA sobre drogas

Caracas, 22 jan (EFE) - O Governo venezuelano lembrou hoje que, segundo a ONU, em 2007 o país foi o terceiro com maiores apreensões de droga, em resposta a opiniões contrárias do Executivo dos Estados Unidos.
O presidente do Escritório Nacional Antidrogas (ONA), coronel Néstor Reverol, respondeu hoje a John Walters, o chefe do departamento antidrogas dos EUA - que afirmou que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, está se transformando em um grande facilitador do tráfico de cocaína à Europa e a outras regiões.

"Chama a atenção que as autoridades americanas dizem que, pelo terceiro ano consecutivo, a Venezuela não colabora com a luta antidrogas e que, ao mesmo tempo, a ONU tenha certificado que, também pelo terceiro ano consecutivo, a Venezuela é o terceiro país com maiores apreensões de droga no mundo", reforçou Reverol.

Segundo Reverol, também chama a atenção que o próprio Walters afirmasse até 2002 que a Venezuela colaborava com os EUA na luta antidrogas, mas suas considerações começaram a mudar depois que, em 2005, os convênios com os americanos foram suspensos.

O coronel sustentou que o Governo venezuelano tachou as declarações de Walter de irresponsáveis, sem fundamento e orientadas a gerar uma matriz de opinião negativa em níveis nacional e internacional.

A ONA informou, na semana passada, que as apreensões de droga na Venezuela caíram para 57,5 toneladas durante 2007 - uma redução de 12,5 toneladas em relação ao ano anterior.

"Embora a apreensão de entorpecentes tenha decrescido um pouco em relação aos números de 2006, é importante destacar o desmantelamento de treze laboratórios em 2007, fato que significou um golpe à produção da cocaína", segundo Reverol.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

O nascimento do PSUV na Venezuela

O dia 12 de janeiro entrou para a história da Venezuela. Nesta data, no simbólico Quartel San Carlos – onde já estiveram encarcerados vários heróis deste sofrido povo, como o líder negro José Leonardo, que liderou a revolta dos escravos contra os colonizadores espanhóis, e o próprio comandante Hugo Chávez, quando encabeçou a rebelião militar de 1992, e que hoje sedia um majestoso centro de cultura -, ocorreu o congresso fundacional do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSVU). O evento, que contou com a participação de 1.676 delegados eleitos em todo país, foi assistido por mais de 20 delegações estrangeiras. Do Brasil, PCdoB, PT, PCB e MST se fizeram representar e participaram de intensas e ricas atividades.

Conforme explicou Jorge Rodrigues, ex-vice presidente do país, coordenador do processo congressual e presidente provisório do novo partido, o PSUV surgiu como necessidade de dar maior organicidade aos milhões de venezuelanos que se identificam com a revolução bolivariana. Antes disso, os “chavistas” não contavam com um instrumento partidário próprio, mas apenas com uma legenda eleitoral, o Movimento Quinta República (MVR), nascido às vésperas de surpreendente vitória de Hugo Chávez nas eleições do final de 1998. “Realizamos uma revolução sem partido, mas agora iniciamos o trabalho de parto de um partido socialista e revolucionário”, explicou Rodrigues à atenta delegação estrangeira. Bem humorado e didático, ele fez uma “breve resenha” sobre o acelerado e sui generis processo de construção do PSUV.

Experiência complexa e original

“A revolução bolivariana tem pressa, essa é uma de suas marcas. Logo após expressiva vitória de Chávez nas eleições de dezembro de 2006, com 63% dos votos, o comandante fez um discurso sobre a urgência da construção de um partido forte, que represente todos os venezuelanos que apóiam o socialismo. Em apenas seis semanas, 5.722 milhões se filiaram ao novo partido, cerca de 36% dos eleitores do país. A meta era filiar 3 milhões, mas ela foi superada de forma impressionante. A partir daí iniciou-se o trabalho de estruturação do partido, com a construção dos núcleos, os batalhões socialistas, com no máximo 300 filiados. Foram criados 14.363 batalhões no país, reunindo pessoas que se conhecem, que são vizinhos, que apóiam a revolução bolivariana, mas que nunca tinham se organizado para discutir política”.

Segundo informou, “os batalhões socialistas realizam assembléias semanais, todos os sábados, quase que religiosamente. Em 29 de setembro, eles reuniram mais de 1,5 milhão de aspirantes a militantes do PSUV e elegeram um porta-voz, um suplente e cinco coordenadores de comissões (ideológica, propaganda, logística, defesa territorial e trabalho social). Eles são porta-vozes, devem expressar os anseios dos filiados, e não representantes afastados da base. Hoje temos mais de 100 mil integrantes nestas comissões, que atuam de forma organizada e são a vanguarda da construção de um partido altamente democrático. Em 20 de outubro, as assembléias elegeram os 1.676 delegados ao nosso congresso fundacional”.

O próprio Rodrigues admite que a “tarefa de construir um partido de quadros e de massas é complexa e apresenta inúmeras dificuldades”, mas ele está otimista com “o início do trabalho de parto”. A partir do congresso fundacional, os aspirantes a militante do partido discutirão durante dois meses os documentos partidários. “Definirão as bases programáticas, os estatutos e as tarefas políticas do PSUV. O objetivo é erguer um partido forte, o maior do país, com muita ternura e tolerância, mas também com muita firmeza. Os inimigos da revolução são poderosos e não descansam. O referendo da reforma constitucional mostrou que não podemos vacilar. A nossa revolução é pacífica, democrática, mas ela também é armada e não vai sucumbir diante de qualquer agressão. Sem um partido socialista forte, a revolução não avançará”.

“Revolução não depende de um homem”

O otimismo de Rodrigues ficou expresso no ato de abertura do congresso fundacional, que foi carregado de emoção, ao ritmo de canções revolucionárias. Coube ao presidente Hugo Chávez o principal discurso da noite. Em tom de brincadeira, ele disse que “será uma fala curta”, todos riram, e o discurso durou mais de três horas, acompanhado silenciosa e atentamente pelos presentes. Foi uma aula de política e ousadia. Após elogiar a realização do evento no Quartel San Carlos, “o presídio dos revolucionários”, e fazer uma menção carinhosa aos militantes do Partido Comunista da Venezuela (PCV) “torturados e assassinados neste cárcere”, Chávez apresentou algumas propostas para a construção do PSVU.

Com base em citações de Fidel Castro, Che Guevara e Antonio Gramsci, ele defendeu que o partido tenha uma ética revolucionária e seja formado por “trabalhadores dedicados, exemplos de pessoas honestas com uma vida limpa”. Ele insistiu também na necessidade do funcionamento coletivo e democrático, que evite personalismos e carreirismos. “Do partido depende o futuro da revolução. Ela não pode depender de um homem, de uma cúpula ou de uma vanguarda esclarecida. Precisa contar com milhões. Do contrário, ela ficará vulnerável”. Em tom autocrítico, ele admitiu que a ausência deste instrumento político é a principal debilidade da revolução bolivariana. Após citar várias conquistas políticas, econômicas e sociais, Chávez afirmou: “Conquistamos importantes avanços, mas não podemos negar nossos erros, limitações e falhas”.

Lições da derrota no referendo

Entre outras idéias, Chávez defendeu que o partido invista na formação do militante. “Sem conhecimento, sem estudo, a revolução não avançará. Só o conhecimento gera consciência”. Propôs ainda que o PSUV priorize as bases e valorize a militância, atuando de forma “radicalmente democrática”. “Não queremos novas oligarquias. O partido deve fortalecer os valores revolucionários, não pode aceitar corrupto... Deve ser uma escola forjadora de consciências e vontades para subverter a ordem capitalista... A consciência é o único motor que pode mover a vontade mais férrea”. Defendeu que o partido atue no curso das lutas políticas – “ vocês agora são atores políticos” – e tenha como perspectiva o socialismo. “Falaram que o socialismo morreu e que o marxismo era o diabo. Muitos até abandonaram o socialismo, traíram, com exceção de Cuba de Fidel Castro. Mas o socialismo do século 21 é o nosso maior desafio”. Propôs ainda uma ativa política internacionalista, que resulte “na união das forças de esquerda da América Latina”.

Num dos momentos mais ricos da sua exposição, Chávez analisou a dura derrota no referendo da reforma constitucional, realizado em dezembro. Numa autocrítica profunda e madura, afirmou com todas as letras que foi o principal responsável pela primeira derrota após nove anos de vitórias consecutivas. “Eu assumo minhas responsabilidades. Errei no momento estratégico do referendo. Não era a melhor hora, o povo não estava convencido das mudanças propostas”. Referindo-se novamente de forma elogiosa ao PCV e ao Partido Pátria para Todos (PPT), reconheceu que foi sectário no trato com estas organizações, “inclusive fazendo bromas” (ironias), e disse que era imperioso valorizar as alianças. “Sem alianças, a revolução não avança, ensinou Lênin”. Bastante aplaudido, afirmou que “é necessário declarar guerra ao sectarismo” e propôs o retorno do diálogo “com o PCV, PPT, as camadas médias e setores da burguesia nacional”.

“Uh, ah, Chávez no se va”

Para ele, o PSUV deve encarar o que chamou da “batalha dos três erres. Revisão, retificação e reimpulso revolucionário”. Quanto à reeleição presidencial, Chávez provocou os presentes: “Eu perdi o referendo e a partir de 2 de fevereiro de 2013 já não estarei mais no Palácio Miraflores”. A reação foi imediata: “Uh, ah, Chávez no se va”. Vários delegados gritaram que iniciarão uma campanha de coleta de assinaturas em defesa da reeleição, mas Chávez solicitou cuidado com a idéia para não se errar novamente no momento oportuno. “A nossa próxima batalha é a eleição de outubro de 2008. Não podemos deixar a direita ocupar postos importantes. Isto colocaria em risco nosso projeto bolivariano, socialista... Não é tempo de acelerar artificialmente. É tempo de consolidar”. Pela terceira vez, Chávez citou o PCV e o PPT e pregou a formação de um Pólo Patriótico, sem sectarismos, no que foi bastante aplaudido.

Além destes dois eventos, as delegações estrangeiras ainda participaram de um jantar com o ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Nicolas Maduro, e a presidente da Assembléia Nacional, deputada Cilia Flores, e de uma reunião de troca de experiências com o primeiro vice-presidente da República, o deputado Roberto Hernandes Rodrigues. Nos relatos dos dirigentes de esquerda da Bolívia, Equador, Uruguai, Chile, México, entre outros, ficou patente que há uma mudança de ventos na América Latina mais favorável às lutas dos povos. Mas, como ressaltaram os latino-americanos e, principalmente, os representantes da França, Itália, Alemanha e de outros países da Europa, o momento ainda é de acúmulo de forças. A direita tenta retomar a ofensiva e atua com muita agressividade. Chamou atenção que todos, sem exceção, enfatizaram o papel nocivo da mídia hegemônica, o principal partido da direita no mundo.

José Reinaldo Carvalho é secretário de relações internacionais do PCdoB e Altamiro Borges é secretário de comunicação. Ambos representaram a direção nacional do PCdoB em Caracas a convite do PSUV.