O livro, de 349 páginas, reúne cem textos escritos por Bolívar (1783-1830) e será financiado pela construtora brasileira Odebrecht, que tem vários projetos de infra-estrutura na Venezuela - entre eles a construção do metrô na capital Caracas. O Poder Legislativo venezuelano aprovou ontem a redução das horas de trabalho no país de oito para seis horas. O artigo aprovado faz parte do projeto do presidente Chávez de reforma constitucional e, para entrar em vigor, será submetido a um referendo em 2 de dezembro. (AE-AP)
domingo, 21 de outubro de 2007
Venezuela doará livro sobre Bolívar a escolas do Brasil
Jornada de trabalho na Venezuela será reduzida a seis horas
CARACAS (Reuters) - A jornada de trabalho na Venezuela será reduzida para seis horas diárias, caso seja aprovada a reforma constitucional promovida pelo presidente Hugo Chávez para aprofundar seu sonho socialista, embora alguns temam que haja obrigatoriedade de realizar tarefas sociais no tempo livre.
O Congresso, dominado pelo chavismo, aprovou na noite de quarta-feira a redução em duas horas da jornada de trabalho, o que a oposição viu como uma "isca" para a aprovação de outros projetos menos populares da reforma constitucional, que será submetida como pacote a referendo em dezembro.
"A fim de que os trabalhadores e trabalhadoras disponham de tempo suficiente para seu desenvolvimento integral, a jornada de trabalho diurna não excederá seis horas diárias ou 36 horas semanais", diz o artigo 90 do projeto, que será submetido a referendo em dezembro.
Alguns criticam que o governo se arvore na capacidade de definir como o cidadão deve aproveitar seu ócio, já que o projeto diz que "o Estado promoverá os mecanismos para a melhor utilização do tempo livre em benefício da educação, formação integral e desenvolvimento humano, físico, espiritual, moral, cultural e técnico dos trabalhadores e das trabalhadoras".
A medida criou confusão entre a população. Alguns estão satisfeitos por terem mais tempo livre, mas outros desconfiam das intenções do governo e temem que possa ser criado um serviço social obrigatório.
Irão e Venezuela criam petrolífera para concorrer com gigantes do sector
A Venirogc quer ser uma das maiores petrolíferas do mundo dentro de poucos anos. Este grupo é o resultado da incursão mais recente de dois dos maiores produtores de petróleo do mundo, o Irão e a Venezuela, na área empresarial do mercado petrolífero.
O objectivo é concorrer com gigantes como a Chevron, Royal Dutch Shell ou Eni, grandes petrolíferas privadas.
As petrolíferas estatais Petropars, do Irão, e Petróleos da Venezuela SA (PDVSA) acordaram fazer uma "joint-venture" por forma a poder acompanhar toda a cadeia de produção, no gás e na gasolina, desde a exploração aos consumidores.
Quem o afirma é o responsável das operações da Petropars na Venezuela, Mohammad Ali Talebi, numa entrevista à Bloomberg.
Este responsável afirmou que a ideia da empresa é "tornar-se num grupo semelhante à Chevron, Shell ou Eni". A parceria terá uma participação de 50% de cada empresa e o objectivo é ter operações em vários países. A Bolívia é um deles.
A empresa vai ser registada nas Ilhas Virgens britânicas, uma "offshore", o que deixará a empresa imune a possíveis sanções económicas que possam ser aplicadas ao Irão.
Esta petrolífera requer um investimento inicial superior a mil milhões de dólares. Depois, será necessário tempo para crescer, de modo que, no final de 2011, já esteja em funcionamento e pronta para explorar 200 mil barris de petróleo por dia.
Governo da Bolívia reforça apoio a Chávez
LA PAZ (AFP) — O governo do presidente da Bolívia, Evo Morales, reforçou seu apoio ao aliado venezuelano Hugo Chávez, fortemente atacado pela oposição, que o acusa de ingerência, depois que este evocou um "Vietnã das metralhadoras" caso o presidente indígena seja derrubado ou assassinado.
"Em suas palavras (do presidente da Venezuela), existe uma expressão de solidariedade com o povo boliviano", afirmou o ministro da presidência, Juan Ramón Quintana, enquanto seu colega da Defesa, Walker San Miguel, também considerou que havia um sinal de "solidariedade continental".
O presidente venezuelano provocou grande tensão política na Bolívia, ao destacar em seu programa dominical de rádio e TV "Alô, Presidente" que a Venezuela "não ficará com os braços cruzados", caso a oligarquia "consiga derrubar Evo ou assassiná-lo".
Chávez advertiu que um eventual desfecho negativo contra seu amigo boliviano e estreito aliado político provocará o "Vietnã das metralhadoras, o Vietnã da guerra".
O líder venezuelano disse em várias oportunidades que seu regime defenderá o boliviano Evo Morales, que vem promovendo profundas reformas políticas e econômicas em seu país, apesar da resistência de liberais e grupos civil, oriundos fundamentalmente da rica região de Santa Cruz (leste).
Esses setores questionaram a nacionalização dos hidrocarbonetos e a reversão de terras improdutivas para distribuí-las entre os camponeses pobres e consideram que, com essa política de governo, o presidente está semeando a divisão do país.
Bolívia e Venezuela construíram estreitos laços políticos e comerciais, e La Paz aderiu à Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), em contraposição à Área de Livre Comércio das Américas (Alca), promovida pelos Estados Unidos.
A Venezuela ofereceu cerca de 700 milhões de dólares para explorar petróleo e gás na Bolívia e para a construção de uma planta de industrialização de gás. Além disso, já doou mais de 60 milhões de dólares para corporações militares e policiais, assim como municípios, cujos cheques são distribuídos pessoalmente por Morales.
O ministro Quintana, colaborador próximo de Evo Morales, defendeu que existem, nas frases de Chávez, "uma expressão de solidariedade com o povo boliviano, diferentemente de outros governos, aos quais interessam apenas a instabilidade e a regressão deste processo político que estamos vivendo neste país".
Enquanto o governo tenta minimizar o incidente, a oposição civil e política continua a fazer suas ácidas críticas ao presidente venezuelano e ao governo boliviano, por não frear a "intromissão" ao país.
O ex-presidente liberal Jorge Quiroga (2001-02), líder do partido Podemos, considerou que Chávez ameaça intervir na Bolívia, com o objetivo de impor uma agenda política própria, como, por exemplo, na Assembléia Constituinte que deve aprovar uma nova Carta Magna.
"O que (Chávez) está nos dizendo é: ou façam a Constituinte na Bolívia como me dá vontade, ou lhes mando as metralhadoras. Imagino que sejam os (fuzis russos) Kalashnikov que está comprando", disse o líder opositor.
Nos últimos anos, a Venezuela se rearmou com a compra de 24 aviões de caça, 53 helicópteros e 100.000 Kalashnikov (todos da Rússia) e planeja construir em seu país uma fábrica para os fuzis russos.
O dirigente do poderoso Comitê civil-empresarial de Santa Cruz, Branko Marinkovic, lamentou que "o presidente Morales não se pronuncie sobre as ameaças de Chávez".
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Chávez cancela discurso na Assembléia Geral da ONU
CARACAS (Reuters) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, não participará, nesta semana, da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) devido a problemas de agenda, afirmou na terça-feira o governo venezuelano.
No ano passado, no discurso proferido durante o evento, Chávez gerou polêmica ao chamar o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de diabo.
O líder venezuelano, crítico contumaz do governo norte-americano, não conseguiu na reunião de 2006 obter uma vaga não permanente para a Venezuela no Conselho de Segurança da ONU, apesar de ter conseguido bloquear a candidatura da Guatemala, que contava com o apoio dos EUA.
"Devido a uma incompatibilidade de agenda e a várias atividades que tem de realizar em solo pátrio, ele não poderá participar (da Assembléia Geral)", afirmou o Ministério das Comunicações e da Informação da Venezuela em um comunicado divulgado na terça-feira.
O órgão acrescentou que, no lugar de Chávez, comparecerá ao evento o ministro venezuelano das Relações Exteriores, Nicolás Maduro.
O dirigente, que faria seu discurso na próxima quarta-feira, afirmou que continuará prestando atenção em cada um dos pronunciamentos e intervenções da assembléia e que ficará o tempo todo em contato com seus representantes.
O presidente venezuelano, que na reunião do ano passado queixou-se do "cheiro de enxofre" deixado por Bush no auditório depois de discursar, também elogiou seu colega iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, por seu pronunciamento diante da ONU.
"Eu o congratulei em nome do povo venezuelano, em vista de uma nova agressão do império norte-americano", afirmou Chávez, segundo o comunicado do Ministério das Comunicações e da Informação.
Ahmadinejad foi acusado de ser um "ditador mesquinho e cruel" pelo reitor na Universidade de Columbia, Lee Bollinger, depois de o mandatário iraniano ter criticado Israel e os EUA e haver afirmado que seu país é pacífico.
O presidente venezuelano informou que Ahmadinejad visitará Caracas na quinta-feira, rapidamente, para consolidar as relações bilaterais entre os dois países.
Na assembléia do ano passado, Chávez insistiu a respeito da necessidade de "refundar" a ONU, propondo tirar a sede da entidade de Nova York, em pleno coração do "império", e alterar seu modo de funcionamento. O dirigente também afirmou que a entidade deveria ser mais rápida ao intervir em conflitos internacionais.
O presidente venezuelano trava uma batalha verbal acirrada com o governo norte-americano, trocando constantemente acusações responsáveis por levar as relações entre os dois países para sua pior situação em anos, e isso apesar da intensa troca comercial (incluindo o petróleo) e entre a Venezuela e os EUA.
Venezuela empresta US$100 mi para Cuba melhorar ferrovias

HAVANA (Reuters) - A Venezuela emprestou 100 milhões dólares para Cuba melhorar suas ferrovias, informou a mídia estatal cubana nesta terça-feira, no momento em que a ilha tenta reconstruir sua dilapidada infra-estrutura depois de anos de crise econômica.
O jornal Granma, do Partido Comunista Cubano, disse que o Banco de Desenvolvimento Econômico e Social da Venezuela assinou um acordo de crédito com o Banco Exterior de Cuba para melhorar suas linhas férreas, sinais e comunicações.
"Com este crédito, as linhas serão completamente restauradas a suas condições originais para levar carga e passageiros", disse em Caracas o ministro de Transporte de Cuba, Jorge Luis Sierra, segundo o jornal.
Sierra afirmou que a recuperação econômica de Cuba precisa de melhores ferrovias e que os trens poderão viajar a 100 km/h, em relação aos atuais 40 km/h.
Depois de gastar mais de 2 bilhões de dólares desde 2005 para modernizar seu parque elétrico e acabar com os blecautes de energia, Cuba quer melhorar seu sistema de transporte, informaram autoridades do governo.
Cuba assinou contratos recentemente para comprar mais de 6 mil ônibus e 100 locomotivas da China, aviões de passageiros e de carga da Rússia, 100 vagões de carga do Irã e milhares de motores para antiquados caminhões da era soviética.
Chávez anuncia viagem à Arábia Saudita para defender preço do petróleo

Caracas - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou, nesta terça-feira, que viajará, na próxima semana, para a Arábia Saudita para "defender o preço do petróleo" em uma reunião de cúpula de presidentes de países-membros da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) e reiterou que prevê que o barril chegará a US$ 100.
- A US$ 100, chegaremos lá. Estou certo de que o preço do petróleo não vai baixar e nós nos encarregaremos disso. Dentro de uma semana estarei na Arábia Saudita - afirmou Chávez em um pronunciamento televisionado.
Um dos objetivos da reunião de Cúpula, segundo o presidente venezuelano, será "defender o preço do petróleo, fortalecê-lo e, para isso, temos que nos unir".
- Os árabes por um lado, os persas pelo outro, lutando uns com os outros; a Venezuela subordinada aos Estados Unidos e, claro, como a Opep estava dividida, não valia um centavo - sustentou Chávez.
A Venezuela é o quarto maior fornecedor de petróleo para os Estados Unidos, para quem destina cerca de 1,5 milhão de barris diários, aproximadamente a metade de sua produção.
Chávez, governante do terceiro maior produtor de petróleo da Opep, com 3,2 milhões de barris diários. acrescentou que o preço de venda do barril de seu país chegou, na segunda-feira, a US$ 74,7, lembrando que, em 2000, não passava de US$ 7.
O presidente lembrou que, na época, convocou uma reunião de cúpula de presidente dos países-membros do cartel e, em Caracas, "renasceu a Opep, depois de 25 anos sem que se reunissem os presidentes dos países que a integram".
O preço do petróleo da Opep se reduziu ligeiramente nesta terça-feira, desde sua última máxima histórica, ao ser vendido na segunda-feira US$ 76,48. 24 centavos a menos que na jornada anterior, segundo comunicou o secretariado da Opep, em Viena.
Na forte escalada experimentada pelos tipos de petróleo desde o início de setembro, o petróleo da Opep caiu abaixo da barreira de US$ 75 pela primeira vez no último dia 19. O preço médio do barril de petróleo venezuelano, um pouco mais pesado que a média do da Opep, subiu, na semana passada, US$ 1,95, frente aos US$ 71,16 da média da semana anterior, situando-se em US$ 73,11.
O petróleo porporciona mais de 80% das divisas que a Venezuela recebe e cerca da metade dos ingressos do orçamento fiscal nacional, que o governo de Chávez calculou em US$ 29 por barril, menso da metade do preço atual. As autoridades veneuelanas calculam que, para cada dólar que sobe ou baixa o preço do barril de petróleo local, os ingressos brutos anuais variam em US$ 1 bilhão aproximadamente.
Os registros de preços anteriores do barril (
Kevin Spacey janta com Hugo Chávez na Venezuela

A televisão estatal mostrou a rápida entrada de Spacey no Palácio de Miraflores, sede do governo da Venezuela, onde foi recebido por Chávez.
"O senhor Spacey falou com o presidente sobre os projetos do cinema nacional e a Vila do Cinema e se interessou pelo papel de mediador do presidente entre as Farc e o governo da Colômbia", contou uma funcionária que presenciou o encontro.
Chávez disse no domingo que a visita aconteceria devido ao interesse que desperta no exterior "o processo revolucionário venezuelano".
Spacey, de 48 anos, já ganhou dois Oscars, um em 1999 como melhor ator por seu papel em "Beleza Americana" e outro como melhor ator coadjuvante por sua participação em "Os Suspeitos", de 1995.

As direções municipal de Curitiba e estadual do PCdoB do Paraná estiveram reunidas com representantes do Fórum Social do Mercosul e do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz), na última sexta-feira (21), para reforçar a integração de frentes políticas contra o neoliberalismo que crescem em toda a América Latina e a importância dos encontros que debatem a temática no continente. “Defendemos a paz mundial, com justiça social, distribuição de renda e de riqueza, democracia, soberania nacional e desenvolvimento”, disse José Reinaldo de Carvalho, diretor do Cebrapaz, ao anunciar o Congresso Mundial da Paz, que será realizado em abril de 2008, na Venezuela.
Segundo Milton Alves, uma extensa agenda com José Reinaldo foi cumprida com o objetivo de amarrar a participação de entidades do movimento popular e envolver institucionalmente o Governo do Paraná nas atividades do Congresso Mundial da Paz. “Várias entrevistas aos meios de comunicação e reuniões com organizações sociais e o governador em exercício, Orlando Pessuti, amarraram a participação dos paranaenses no evento”, comemorou.
José Reinaldo de Carvalho, que também é secretário de Relações Internacionais do PCdoB, diz que é fundamental vincular a paz à solidariedade entre os povos latinos. “Mesmo sem cadeira no conselho permanente da ONU, o Brasil tem grande influência no continente. É preciso sensibilizar os países do Norte e combater o unilateralismo e a política militarista agressiva dos EUA”, disse Carvalho.
Os temas comuns que serão debatidos nos dois encontros vão da fome, aos conflitos no Iraque, Afeganistão e Faixa de Gaza. “A luta contra a guerra imperialista já dura 58 anos. Vamos continuar lutando contra a guerra de Bush e o imperialismo, além de seguirmos defendendo a soberania e os direitos dos povos”.
“Em nome destes princípios e compromissos, o Cebrapaz convida todos a unirem os seus esforços pela paz como condição de liberdade, de combate à miséria, de proteção à natureza, de desenvolvimento nacional, de democracia e independência, no reforço ao espírito de solidariedade com toda a humanidade”, completou Carvalho.
Para Joel Benin, presidente municipal do PCdoB de Curitiba e membro do recém-criado Cebrapaz no Estado, o Paraná pode contribuir para mobilizar os brasileiros a partir do Fórum do Mercosul para as bandeiras nobres em defesa da paz e contra o neoliberalismo.
Chávez nega pressão sobre Congresso Brasileiro

CARACAS (AFP) — As supostas pressões exercidas pela Venezuela sobre senadores brasileiros, para que seja aprovada a entrada do país no Mercosul, são parte de uma campanha negativa dos Estados Unidos, denunciou neste domingo o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em seu programa semanal "Alô Presidente".
"É a mão do império (Estados Unidos) que move outra vez a grande imprensa, a principal arma que o imperialismo tem atualmente para evitar nossa união", disse Chávez.
O presidente negou ter feito declarações para pressionar o Senado brasileiro durante sua visita ao país, na quinta-feira, na cidade de Manaus.
"Não dei um pio sobre isso nem falei nada sobre o Congresso do Brasil em Manaus".
Senadores de diversos partidos brasileiros ameaçam vetar a entrada da Venezuela no Mercosul, ao classificarem como ofensiva uma declaração de Chávez, que disse que a Venezuela não "irá se arrastar nem implorar para entrar no Mercosul".
O Senado do Brasil deve aprovar o ingresso da Venezuela até dezembro, prazo fixado pelo presidente da Venezuela.
"Alguns senadores do Brasil voltaram a dizer que 'Chávez é um tirano, um ditador', mas são os senhores que estão dizendo isso", destacou o presidente da Venezuela.
Chávez criticou ainda o senador Tião Viana (PT), que o chamou de "louco".
"Eu rio dessa situação, mas no fundo me dá tristeza, pela pessoa que deu essa declaração e pelo cargo que ela ocupa".
Chávez e o Senado brasileiro trocam farpas desde junho, quando o presidente chamou os senadores de "papagaios que imitam os Estados Unidos", referindo-se ao caso do canal de oposição RCTV, que teve sua licença não renovada por decisão de Chávez.
sábado, 22 de setembro de 2007
'Só pude rir', diz Miss Venezuela que viu coroa ser roubada

A modelo Dayana Mendoza passou por uma situação bizarra logo após vencer o concurso de Miss Venezuela 2007, na semana passada: ela viu a coroa da segunda colocada, Hannelys Quintero (eleita Miss Venezuela Mundo), ser roubada por um homem que assistia ao evento na platéia.
Refeita do susto, ela deu uma entrevista exclusiva ao G1, por telefone, e disse que não ficou em pânico. Ao contrário: "Dei muita risada", afirmou a miss.
"Eu estava em pé esperando a coroa ser colocada na minha cabeça quando olhei para as pessoas e vi que elas estavam com uma expressão esquisita no rosto. Olhei de novo para a frente e vi um homem saltar entre as cadeiras, pegar a coroa e sair com ela na cabeça. Dei muita risada", conta a miss, de 21 anos.
A cerimônia de transmissão da coroa de Miss Venezuela aconteceu na noite do dia 13 de setembro, no Poliedro de Caracas, grande sala de eventos e concertos da capital. O evento foi transmitido ao vivo pelo canal privado "Venevisión".
A final do Miss Venezuela, com mais de quatro horas de duração, foi um sucesso de audiência no país. Na noite do evento, dois de cada três televisores estavam sintonizados no concurso, que é mais assistido do que a Copa do Mundo.
Soares embaixador do petróleo em Caracas

Ontem, o ex-presidente da República esteve presente na apresentação do I Lisbon Energy Forum 2007, uma iniciativa da Galp e da Fundação Mário Soares que reunirá em Lisboa no início de Outubro altos dirigentes de algumas das maiores petrolíferas do mundo. Mário Soares disse ter acompanhado o presidente da Galp Energia numa recente deslocação à Venezuela, por insistência de Ferreira de Oliveira, e porque a Fundação e a empresa já tinham o projecto comum de preparar a cimeira. Como conhecia bem vários ministros, incluindo o do Petróleo, e o próprio Presidente Hugo Chávez, "isso foi im- portante para as conversações que lá tivemos". Foi o que Soares respondeu na sequência de uma questão colocada sobre o processo de negociações entre a Galp e a PDVSA. O ex-presidente da República sublinhou as várias deslocações que tem feito à América Latina, a países como a Venezuela, o Brasil e o Equador, onde obtém conhecimentos pessoais que, depois, ajudam a "abrir portas". "E foi isso o que sucedeu na Venezuela", acrescentou.
O papel de Soares foi ontem avançado pelo Diário de Notícias da Madeira. No entanto, e já esta semana, o presidente executivo da Galp, Ferreira de Oliveira, ele próprio ex-quadro da PDVSA, negou, em declarações à Lusa, qualquer ligação do ex-presidente de Portugal às negociações com a petrolífera.
Ontem, Ferreira de Oliveira confirmou as conversas em curso com a empresa pública da Venezuela, país que tem as maiores reservas de petróleo do Ocidente e está no clube dos maiores produtores a nível mundial.
O principal objectivo da Galp é fechar um acordo de parceria estratégica que lhe garanta uma posição equivalente à que tem na exploração e produção de petróleo e gás em Angola e no Brasil. Segundo a imprensa venezuelana, a Galp deve entrar na exploração de petróleo e gás na Faixa do Orinoco onde a PDVSA quer constituir joint-ventures com empresas internacionais, desde que mantenha a maioria. O acordo para a parceria, já saudada por Chávez, poderá vir a ser assinado em Lisboa no dia 2 de Outubro, aproveitando a deslocação do presidente da PDVSA e também do ministro do Petróleo, Rafael Ramírez Carreño. Para além da entrada da Galp na Venezuela, o acordo pode passar pelo abastecimento de crude a Portugal. Em 2006, a Galp praticamente não comprou petróleo à Venezuela, cujas características não são as mais adequadas ao aparelho refinador nacional.
Chávez recebe porta-voz das Farc dia 8 de outubro, diz senadora

CARACAS (Reuters) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, vai se reunir no dia 8 de outubro com um enviado da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) a fim de negociar um eventual acordo sobre uma troca de reféns por rebeldes presos, afirmou na terça-feira a mediadora colombiana Piedad Córdoba, após encontro com Chávez.
Por meio de uma mensagem de vídeo, Raúl Reyes, porta-voz das Farc, propôs a Chávez realizar a reunião no dia 8 de outubro (aniversário da morte do guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara), no Palácio de Miraflores (sede do governo da Venezuela).
"O presidente aceita a proposta da reunião, aceita a data dela e, obviamente, aceita que o encontro comece a ser preparado para o caso de realmente ocorrer em Miraflores", afirmou a jornalistas Córdoba, uma senadora colombiana, depois de reunir-se com Chávez.
A senadora acrescentou que a principal exigência do presidente venezuelano para fazer parte do processo na qualidade de mediador é que as Farc apresentem "provas de que os reféns estão vivos", questão a que se dedicará nos próximos dias.
O envolvimento de Chávez na questão sofreu um revés depois de o presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, ter negado autorização para o líder venezuelano encontrar-se com os guerrilheiros em território colombiano.
Um eventual acordo poderia incluir a troca de dezenas de reféns atualmente nas mãos das Farc, entre os quais a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt (de cidadania franco-colombiana) e três norte-americanos, por centenas de guerrilheiros mantidos em prisões colombianas.
Antes de reunir-se com Córdoba, que levou a mensagem gravada em vídeo, Chávez já havia dito estar disposto a realizar um encontro preparatório antes de conversar com Marulanda, líder das Farc.
"O que estamos discutindo agora é uma reunião a ocorrer em breve com o enviado de Marulanda. Tenho quase certeza de que isso acontecerá nas próximas semanas", afirmou o dirigente venezuelano.
Chávez, que conta com o apoio do presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou que esses esforços poderiam servir de prelúdio para negociações mais amplas capazes de levar a um acordo de paz na Colômbia, mergulhada em um conflito interno há mais de 40 anos. Esse conflito já deixou milhares de mortos.
As Farc, o grupo guerrilheiro mais antigo da América Latina, contam com cerca de 17 mil combatentes e defenderam recentemente que fossem retiradas da lista de "organizações terroristas" elaborada pelos EUA e pela União Européia (UE).
(Por Enrique Andrés Pretel)
Hugo Chávez ameaça fechar escolas particulares na Venezuela
Hugo Chávez afirmou que todas as escolas deverão adotar ainda neste ano um novo currículo que, segundo ele, vai ajudar a desenvolver valores de cooperação e solidariedade.
O presidente disse que a reforma na Constituição proposta por ele (ainda em fase de aprovação pela Assembléia Nacional da Venezuela) reconhece a existência de escolas particulares, mas que elas devem adotar o novo sistema educacional socialista.
Chávez também afirmou que o sistema de educação privado é baseado em valores capitalistas e organizado de maneira a negar educação para o povo.
Segundo o presidente venezuelano, a educação foi ignorada pelos governos anteriores. Muitos pais de alunos, no entanto, temem que o novo currículo seja uma forma de doutrinação de seus filhos.
Na cerimônia de inauguração de uma nova escola no primeiro dia letivo do ano acadêmico, Chávez falou sobre seu ideal de educação, baseado em aprender a criar, viver em sociedade e refletir.
O presidente disse ainda que governos anteriores também promoveram sua própria ideologia. "Eles nos ensinaram a admirar Cristóvão Colombo e o Super-Homem", afirmou. "A educação baseada na ideologia capitalista destruiu valores", disse Chávez.
Venezuela prepara processo de geminação

O embaixador da Venezuela disse ontem, após um encontro com o presidente do Governo Regional, que o direito da propriedade privada está assegurado na revisão da Constituição venezuelana. Lucas Rincón Romero adiantou ainda que o acordo de geminação entre a Madeira e a ilha de Marguerita, anunciada em 2001, aquando da visita de Hugo Chávez à Região, deverá ser concretizada dentro de médio prazo.
O embaixador da Venezuela, que ontem foi recebido na Quinta Vigia, com um almoço oferecido pelo presidente do Governo Regional, revelou que, neste momento, estão ser dados passos no sentido de se concretizar a geminação entre a ilha da Madeira e a de Marguerita, uma proposta avançada por Hugo Chávez, aquando da sua visita à Região, em 2001.
De acordo com Lucas Rincón Romero, outros dos aspectos abordados neste encontro com o presidente do Executivo madeirense, em que esteve presente o secretário regional dos Recursos Humanos e o director regional das Comunidades, foi a visita, no próximo ano, de Alberto João Jardim à Venezuela. Uma deslocação que, tal como afirmou o diplomata venezuelano, ainda não tem data marcada.
Durante esta visita à Venezuela, Lucas Rincón Romero admitiu a possibilidade de Alberto João Jardim se encontrar com o presidente da República Bolivariana da Venezuela. Porém, insistiu o diplomata, a data da viagem ainda não está fixada.
Em declarações aos jornalistas, e confrontado com a possibilidade de alguns madeirenses estarem preocupados com as alterações à Constituição daquele país, nomeadamente, em matéria de direito de propriedade, assegurando que as propostas não irão afectar esses direitos.
Lucas Rincón Romero disse ainda que este encontro serviu, igualmente, para reforçar os laços entre Portugal e Venezuela, uma ligação que, segundo o diplomata, já começa a dar frutos, apontando, como exemplo, a parceria efectuada entre a Polícia Judiciária e a sua congénere venezuelana, em 1994, e que irá permitir, brevemente, responsáveis da referida polícia portuguesa a Caracas. Um processo que, segundo referiu, se insere num esforço comum das duas polícias no combate ao tráfego de droga.
Esses laços de cooperação, tal como afirmou Lucas Rincón Romero, são também extensivos a outras áreas, como no domínio empresarial, ou económico, referindo, a este propósito, a previsível assinatura do protocolo entre a petrolífera venezuelana e a GALP, cujas negociações estão em curso.
Venezuela consegue recorde mundial com sopa de 15 mil litros

Caracas, 15 set (EFE).- A Venezuela instaurou hoje um novo recorde mundial ao preparar a "maior" sopa do planeta, de 15 mil litros, em comemoração ao terceiro aniversário do Ministério da Alimentação, informou o titular dessa pasta, Rafael Oropeza.
A sopa poderá ser degustada por até 70 mil pessoas em diversos lugares da capital venezuelana, disse o ministro aos jornalistas."Junto com o povo, estamos batendo o recorde mundial da maior sopa, de carne e frango. Esta sopa tem 15 mil litros", disse Oropeza.
A representante do Livro Guinness dos Recordes, Jane Boatfeild, corroborou a preparação da "megasopa", que começou na sexta-feira às 18h (19h de Brasília) e terminou de manhã.
Boatfeild "receberá o relatório certificado da Sincamer (órgão oficial de metrologia)", que dá conta que a sopa é de 15 mil litros, "quase o triplo" do recorde anterior marcado pelo México, disse Oropeza.
A sopa ficou cozinhando durante mais de 13 horas em plena avenida Bolívar, no coração da capital venezuelana, em uma gigantesca panela de aço inoxidável de 3,66 metros de altura, 2,69 metros de diâmetro e 20.490 litros de capacidade.
A preparação contou com mais de cem pessoas, entre elas alguns reconhecidos cozinheiros venezuelanos, e cerca de 70 mulheres que ficaram responsáveis de limpar, descascar e cortar aproximadamente "7.000 mil quilos verduras e 4.500 quilos de carne e frango", segundo dados oficiais. EFE gf an
Venezuela doará mais US$ 50 milhões a municípios na Bolívia

La Paz, 15 set (EFE).- O embaixador da Venezuela em La Paz, Julio Montes, disse hoje que seu país doará mais US$ 50 milhões aos municípios bolivianos, mas esclareceu que depositará o valor em contas e não será entregues pelo presidente Evo Morales, como até agora.
Os cheques com ajuda venezuelana que Morales distribuiu entre prefeitos não aparecem na contabilidade oficial nem têm controle.No entanto, Montes comentou hoje aos jornalistas que, a partir de janeiro de 2008, o dinheiro da Venezuela será depositado diretamente nas contas dos municípios e que seu país não exercerá nenhum tipo de controle sobre esses recursos.
Os políticos da oposição na Bolívia denunciaram que a ajuda venezuelana não é transparente e que, em alguns casos, é manipulada por Morales a critério pessoal e sem nenhum controle legal nem fiscal.
Recentemente, o embaixador Montes esclareceu que as doações são controladas diretamente "de forma transparente" pela Venezuela e por Morales, como estabelece um convênio bilateral, e que o presidente pode destiná-las aos municípios, à melhora de quartéis e a obras de infra-estrutura social, entre outras coisas. EFE mb pa
SICI quer emitir para Venezuela

"Entre as previsões para 2008, o principal objectivo é [passar a emitir para] a Venezuela, onde existe uma comunidade de meio milhão de portugueses", avançou o director, João Pedro Nava.
Sublinhando a importância da América Latina para um canal que se dirige às comunidades e aos países de língua portuguesa, João Pedro Nava referiu que a Venezuela "é um mercado essencial" até porque já marca presença no Brasil, onde emite para um milhão de portugueses.
Com 10 anos de existência - que se completam na próxima segunda-feira -, a SIC Internacional pretende ainda alargar o seu âmbito para outros países da Europa, nomeadamente Alemanha e Grã-Bretanha, já que, no conjunto, representam mais cerca de 300 mil portugueses, adiantou João Pedro Nava.
A par do alargamento geográfico das emissões, a direcção do canal internacional da SIC quer também "criar emissões diferenciadas para "três grandes blocos de países América, Europa e frica", revelou o director do canal. Uma decisão que surge não só pelas diferenças culturais entre países, como pelos fusos horários.
China e Venezuela fecham acordo de US$ 10 biliões

As duas companhias formarão uma empresa mista. A estatal venezuelana terá 60% de participação, e a chinesa, 40%. Ambas vão assumir os custos do transporte do petróleo. O projeto inclui a criação de três refinarias na Venezuela. Na China, estão sendo construídas outras três com participação venezuelana para processar parte do petróleo extraído conjuntamente.
Este é o maior acordo sobre a zona petrolífera venezuelana desde junho, quando as empresas americanas Conoco Phillips e Exxon Mobil rejeitaram uma associação com a PDVSA no regime de empresa mista.
As informações são do jornal chinês Shanghai Daily.Estudo analisa a economia venezuelana na era Chávez
Não é por louvável prudência que o imperialismo e a burguesia sempre traçam os cenários mais negros sobre a economia dos países revolucionários e anti-imperialistas: é uma opção de classe, com o objetivo claro de desacreditar, aos olhos das massas, a opção revolucionária dos povos. A propaganda e os noticiários dos media repetem agora a receita no caso da Venezuela, apesar da realidade claramente os desmentir.
Por Mark Weisbrot e Luís Sandoval*
A Venezuela experimentou um crescimento bastante rápido, depois de ter tocado no fundo na recessão de 2003, tendo atingido uma taxa de crescimento de 10,3 por cento em 2006. A opinião mais generalizada sobre a expansão econômica atual do país é que se trata de uma grande bonança petrolífera” estimulada, como no passado, pelos altos preços do óleo, e que vai a caminho da “bancarrota”. Acredita-se que este futuro colapso econômico será resultado da queda que, em qualquer momento, terão os preços do petróleo, ou de uma má política econômica do governo.
Existe uma enorme quantidade de evidências que contraria essas conclusões. O crescimento econômico da Venezuela sofreu uma grave queda nas décadas de 80 e 90, depois do pico do seu Produto Interno Bruto (PIB) real em 1977. Nesse sentido, a sua situação é idêntica à da região considerada no seu conjunto, que desde 1980 registrou o seu pior desempenho de longo prazo em matéria de crescimento econômico, em mais de um século. Hugo Chávez Frias foi eleito em 1998 e assumiu a presidência em 1999, e os primeiros quatro anos da sua administração foram marcados por uma grande instabilidade política que afetou negativamente a economia. Isso culminou com um golpe de estado militar que derrubou transitoriamente o governo constitucional em abril de 2002, e foi seguido por uma devastadora greve petrolífera que se estendeu de dezembro de 2002 até fevereiro de 2003. A greve petrolífera precipitou o país numa severa recessão econômica, no decurso da qual a Venezuela perdeu 24% do PIB.
Mas esta situação política começou a estabilizar no segundo trimestre de 2003, e continuou a estabilizar-se ao longo de todo o período atual de expansão econômica. A economia teve um crescimento contínuo e acelerado desde o início da estabilização política. O PIB real (quer dizer, corrigido pelos efeitos da inflação) cresceu 76% desde o ponto mais baixo da recessão em 2003. É provável que as políticas fiscais e monetárias expansionistas, bem como os controles sobre o tipo de mudança aplicados pelo governo, tenham contribuído para o presente auge econômico. A despesa do governo central incrementou-se em 21,4 por cento do PIB em 1998 a 30% do PIB em 2006. As taxas reais de juro de curto prazo foram negativas durante praticamente todo o período de recuperação econômica.
As receitas do governo cresceram ainda mais rapidamente que a despesa nesse período, passando de 17,4% a 30% do PIB no mesmo período, deixando o governo central com um orçamento equilibrado para 2006. O governo estimou com base em previsões conservadoras o preço do petróleo: por exemplo, para 2007, as bases orçamentais previram um preço médio de US$ 29 por barril de petróleo, que é 52% menos que o preço médio do óleo vendido no ano anterior. Em geral, o governo excedeu a despesa em relação ao planificado, já que os preços do petróleo foram mais altos do que o estimado, mas se os preços do petróleo caírem, é possível que a despesa também contraia.
No entanto, a Venezuela tem uma enorme almofada de reservas a qual pode recorrer, no caso e uma queda dos preços do petróleo começar a diminuir as suas finanças. Uma queda dos preços do petróleo de 20% ou mais poderia ser absorvida com as reservas internacionais oficiais, que hoje ascendem a US$ 25,2 bilhões e são suficientes para cancelar quase toda a dívida externa do país. Este número não inclui outras contas do Estado venezuelano no exterior, que se calculam atingirão mais 14 a 19 mil milhões de dólares. Com uma dívida externa relativamente pequena (14,6% do seu PIB), o governo podia, inclusive, aceder aos mercados de crédito internacionais no caso de uma queda do preço do petróleo. Por outro lado, não parece muito provável que, num futuro próximo, os preços do petróleo venham a cair. O prognóstico de curto prazo publicado em 10 de Julho pela Agência de Informação sobre Energia prevê preços de petróleo de US$ 65,56 por barril para 2007 e US$ 66,92 para 2008. Aparentemente, o risco de alterações bruscas imprevistos na oferta é, mais que qualquer outro – especialmente no volátil Médio Oriente – que esta se contraia, induzindo um aumento dos preços e não a sua queda.
Aspectos sociais
O governo de Chávez incrementou muito significativamente a despesa social, tanto na saúde como na alimentação e educação. O contraste mais agudo é nas atenções de saúde. Por exemplo, em 1998 havia 1.628 médicos exercendo atenção primaria a uma população de 23,4 milhões de habitantes. Hoje há 19.571 para uma população de 27 milhões. O governo venezuelano também ampliou enormemente o acesso a alimentos subsidiados. Em 2006, houve 15726 estabelecimentos em todo o país que comercializaram alimentos a preços subsidiados (possibilitando uma poupança média de 27% e 39%, em comparação com os preços de mercado de 2005 e 2006 respectivamente).
A despesa oficial do governo central cresceu exponencialmente, passando de 8,2% do PIB em 1998 para 13,6% em 2006. Em termos reais (corrigidos os efeitos inflacionários), a despesa social por pessoa aumentou 170% no período 1998-2006. Mas isso não inclui a despesa social da empresa estatal venezuelana, Petróleos da Venezuela SA (PDVSA), que ascendeu a 7,3% do PIB em 2006. Se a incluirmos, a despesa social representou 20,9% do PIB em 2006, o que representa pelo menos 314% mais que em 1998 (em termos de despesa social real por pessoa).
O índice de pobreza diminuiu rapidamente, passando do valor máximo de 55,1% em 2003 para 30,4% em 2006 – como se podia prever, face ao rápido crescimento econômico que se registrou nos últimos três anos..
Se compararmos o índice de pobreza antes de Chávez (43,9%) com o de fins de 2006 (30,4%), verifica-se uma queda de 31% do índice de pobreza. No entanto, este índice não leva em linha de conta o acesso alargado à saúde e à educação a que os pobres passaram a ter acesso. As condições de vida da população pobre, portanto, melhoraram significativamente mais do que o indica a substancial redução da pobreza refletida no índice oficial d pobreza, que apenas mede recebimentos monetários efetivos. Também caiu substancialmente o índice de desemprego desde 1998, passando de 44,5% a 49,4% a população ativa.
O que vem pela frente
Os principais desafios que enfrenta a economia andam à volta da taxa de câmbio e da inflação. A moeda venezuelana está bastante valorizada. O governo tem relutância em desvalorizar, porque isso aumentaria a inflação – que atualmente se situa nos 19,3%, o que supera a os objetivos governamentais. Dado que existem controles sobre o tipo de câmbio e o governo conta com um grande superávit na conta-corrente (8% do PIB), não há nada que possa obrigar a uma desvalorização num futuro próximo (como ocorreu, por exemplo, quando entraram em colapso as moedas argentina, russa e brasileira no final da década de 1990). Mas este sim, representa um problema a médio prazo, já que ainda que a inflação esteja estabilizada e inclusive comece a baixar, o ritmo atual da inflação continuará a apreciar o tipo de câmbio real da moeda venezuelana (Bolívar). Isto faz com que as importações fiquem artificialmente baratas, e que as exportações não petrolíferas sejam demasiado caras nos mercados mundiais, afetando o sector de bens comerciais, tornando-se potencialmente numa situação insustentável. Além disso, isto dificulta imenso a diversificação da economia e a possibilidade de romper com a dependência do petróleo.
Hoje, a inflação ascende a 19,4%, e este é um problema, ainda que, seja importante assinalar que as taxas de inflação de dois dígitos num país em desenvolvimento como a Venezuela não podem ser comparáveis com o mesmo fenômeno transferido para a Europa ou os Estados Unidos da América. A inflação na Venezuela foi muito maior nos anos anteriores aos governos de Chávez, alcançando taxas de 36% em 1998 e 100% em 1996. Caiu ao longo da maior parte da atual fase de recuperação, passando de 40% anual em fevereiro de 2003 (comparando com o mesmo mês do ano anterior) – precisamente no pico da greve petrolífera – a 10,4% há um ano, antes de subir novamente para o índice atual. Nos últimos três meses parece ter estabilizado nos 19,4%.
Devido ao seu grande superávit na conta-corrente, à suas grandes reservas em moeda estrangeira e à pequena dívida externa do país, o governo dispõe de ferramentas para estabilizar e reduzir a inflação – tal como para, eventualmente, ajustar a moeda – sem ter que sacrificar o crescimento da economia. Além de outras metas, tudo parece indicar que o governo está decidido a manter uma taxa de crescimento alta. Por isso, hoje não há sinais que sugiram que a atual expansão econômica, nos anos mais próximos, esteja a chegar ao fim.
* Mark Weisbrot é economista e co-diretor do Centro de Investigação Econômica e de Políticas (Center for Economic and Policy Research - CEPR), em Washington. Luis Sandoval é investigador-assistente do mesmo Instituto.
Este texto é o resumo que antecede estudo realizado pelos autores a respeito do tema.
Tradução de José Paulo Gascão